quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Suspensão, com previsão de regresso em Fevereiro de 2019


Desde 2009 que andamos “por cá”. Em inícios do ano passado começámos a conversar sobre um eventual afastamento. A questão foi sendo ponderada desde então. Concluímos que uma ausência temporária faz todo o sentido.

Escolhemos o dia de hoje para iniciar o período de suspensão por ser a data de inicio da temporada tauromáquica 2018. Cremos que valerá a pena voltarmos, pelo que tencionamos regressar em Fevereiro de 2019 (por ser uma altura em que começará mais outra temporada tauromáquica).

Durante os próximos 12 meses, vamos assim estando atentos mas não activos. Pensamos que isso nos permitirá perceber melhor de que forma podemos/devemos agir no futuro para continuarmos a dar o nosso melhor contributo para a abolição da tauromaquia.

Fica apenas um esclarecimento adicional, pois embora nos últimos anos não se tenham realizado touradas na Marinha Grande, não estamos livres vir a realizar-se alguma no corrente ano: Na eventualidade de ser anunciada alguma tourada para o nosso município para 2018, sairemos de imediato do modo “pausa”.

Hesitámos sobre se devíamos escrever uma nota tão pormenorizada, mas as muitas e muitas pessoas que têm colaborado connosco (o que nos enche de gratidão) merecem que, no mínimo, fique aqui toda esta toda esta explicação.

Até sempre :)

Acosso e Derrube

(Em actualização)

= Acosso e Derrube: Uma crueldade intolerável, quer enquanto teste de “bravura” (muito utilizado em Portugal) quer enquanto modalidade de competição =

O Acosso e Derrube (também chamado de “acosso e derriba” ou, em espanhol, “acoso y derribo”) é mais uma prática que assenta na perseguição e inflicção de sofrimento a animais. Perseguem-se (acossam-se), espetam-se (acossam-se) e fazem-se cair (derrubam-se) bovinos!

A perseguição é feita por pessoas montadas em cavalos. Cada uma destas pessoas está munida de uma vara longa que tem um comprimento de 2,5 a 3,7 m e uma ponta de metal que pica (e fere, obviamente).

Nos países em que ainda se realizam touradas, o acosso e derrube pratica-se: enquanto prova funcional de campo, como suposto teste daquilo a que alguns chamam de bravura do (chamado) gado bravo de lide; e/ou com outros fins.

Enquanto prova funcional de campo, esta decorre numa parcela de terreno duro, com 1500 metros de comprimento por 100 metros de largura, que se inicia num curral (designado por curral de saída) ou numa arena e termina num outro curral (designado por curral de paragem), no qual os bovinos costumam pastar e dormir na(s) véspera(s) da cruel prova. Os bovinos referidos são machos com idades compreendidas entre 1 a 2 anos.

No aludido contexto, os jovens animais começam por ser colocados em grupo no curral de saída (ou arena). Depois, cada um deles é separado do grupo e perseguido individualmente, em direcção ao curral de paragem, por duas pessoas, auxiliar e "garrochista", munidas das referidas varas. A auxiliar força o bovino a correr ininterruptamente e sempre em frente pelo menos 500 metros, sendo que quando este já está a galopar e a evidenciar sinais de muito cansaço, a "garrochista" vai-lhe dando umas pauladas, até que faz o seguinte: espeta-lhe violentamente a vara nos quartos traseiros na zona da anca, empurrando-o e levantando-o, para assim o derrubar. Se a vítima não rodar o suficiente durante a queda e não cair no chão com a cabeça virada para o curral de saída, há um procedimento adicional (em que, uma vez mais, as varas estão presentes) para a virar nessa direcção. E todo este processo, em que cada animal é violentamente espetado/ferido, empurrado e levantado, derrubado, e muitas vezes ainda forçado a virar-se para ao lado contrário àquele para onde corria quando foi atirado para o chão, é repetido várias vezes.

A derrubar numa prova funcional de campo de acosso e derrube
É evidente que o acosso e derrube causa ferimentos e sofrimento neurológico e psicológico a estes seres sencientes. Como facilmente se percebe, origina também a morte a curto prazo de muitos deles. Uns morrem de imediato no local, por quebra do pescoço, por exemplo. Outros sofrem lesões graves, como fracturas nas pernas ou na coluna vertebral, que, mesmo que não os matem, ditam o abate. O abate (em breve) é também a consequência de uma nota negativa neste atroz teste.



A nota no teste ser negativa ou positiva, depende de diversos factores. O mais valorizado é a atitude do jovem bovino assim que se levanta, após cada queda, perante um incitamento a correr em direcção ao curral de saída. Assim sendo:

- Se o bovino tiver boa memória e resolver ignorar quem o está a provocar, tomando a decisão de dar meia volta e de se dirigir para o curral onde pastou e dormiu tranquilamente na véspera, na esperança de que aí o deixem em Paz, tem nota negativa;

- Se, pelo contrário, o raciocínio do animal for que se perseguir os indivíduos que o feriram talvez os consiga afastar e ver-se assim livre deles, é provável que tenha nota positiva. Se assim for, pode ainda ter de suportar outros testes, que incluem, por exemplo, lances de varas no cachaço (e mais para trás), desferidos de seguida e no mesmo espaço e/ou posteriormente na praça de provas da ganadaria (“tenta a campo aberto” e/ou “tenta/re-tenta em tentadeiro”, respectivamente).

Como no “mundo” da tauromaquia tudo é entretenimento, é habitual que participem/assistam convidados às provas de acosso e derrube, que se façam exibições desta prática nas "festas" de campo, e que alguns indivíduos acossem/derrubem para treinar para competições (hípicas).

Em competição, a maneira como se acossa e derruba é idêntica à supra explanada. As principais diferenças são as que se seguem. Os animais que se violentam são machos ou fêmeas. São não só bovinos “de lide” como também os chamados bovinos de carne. Não importa a idade, desde que pesem mais de 200 Kg. Uma vez que, neste âmbito, o objectivo não é a selecção dos animais que continuam a fazer parte de determinada ganadaria, mas sim a classificação e selecção das pessoas mais "habilidosas" a derrubarem animais, há um sistema de pontos, a atribuir aos concorrentes. O número de pontos positivos depende de factores como sejam se o bovino roda (ou não) durante a queda ou qual a parte do corpo da vítima que primeiro bate no chão! Já os pontos negativos são atribuídos quando, por exemplo, a vara é espetada nos rins ou no anus das vítimas.

Em Portugal, o acosso e derrube enquanto competição tem, felizmente, pouquíssima adesão. Ainda assim, vai-se sabendo da existência de alguns campeonatos e não faltam toureiros Portugueses que participam em campeonatos fora do país.

Um Português num campeonato de acosso e derrube em Espanha


(...) (A inserir videos)

sábado, 20 de janeiro de 2018

Estatísticas Oficiais Animadoras - Tauromaquia em Queda

Foi, esta semana, tornado público o "Relatório da Atividade Tauromáquica 2017", da IGAC - Inspeção-geral das Atividades Culturais (entidade tutelada pelo Secretário de Estado da Cultura).

Os dados oficiais contidos no referido relatório permitem constatar o seguinte:

  • Desde 2009 que, ano após ano, o número de "espectáculos" tauromáquicos tem vindo a decrescer.
  • De acordo com um método de contagem de espectadores que incorpora uma enorme margem de erro*, e ainda que em 2016 o número de espectadores tenha sido menor que o de 2015, mas aparentemente também ligeiramente menor que o de 2017 (ver quadro IGAC), não há dúvidas de que a o número de espectadores vai decrescendo e tendendo para zero, conforme se pode perceber melhor pelo quadro seguinte:


Tal como mencionado nos gráficos acima, os mesmos foram elaborados por nós, mas os dados são os da IGAC. Segue-se uma cópia do quadro de onde foram retirados.


As estatísticas são animadoras, pois demonstram que a tauromaquia vai perdendo público e que a indústria tauromáquica, a contar com cada vez menos touradas, menos entradas e, como tal, menos receitas, vai ficando enfraquecida. Este enfraquecimento, a par de toda a contestação de que as touradas vão sendo alvo, traduzir-se-á, muito em breve, na abolição da tauromaquia. 

_______
* Conforme referido no relatório da IGAC "(...) efetuou-se cálculo por estimativa do número de espetadores presente nos espetáculos. Este número é calculado com base nos números identificados pelos Delegados Técnicos Tauromáquicos em cada espetáculo." Ou seja, há um elemento subjectivo no cálculo do número de espectadores. Cada delegado técnico tauromáquico refere que há, por exemplo, 1/2 ou 1/3 ou 1/4 de lugares preenchidos, sendo que é com base nesta técnica (e no número de lugares que determinada praça de touros tem) que o número de espectadores é apurado, nunca sendo, como tal, rigoroso.  

sábado, 11 de novembro de 2017

Voz do Cidadão (VI) - Episódio 30 - RTP Play - RTP

"Deve a televisão pública transmitir touradas? Eu penso que não." (Provedor do Telespectador da RTP, Jorge Wemans)

Programa Voz do Cidadão de hoje, 11/11/2017:

Voz do Cidadão (VI) - Episódio 30 - RTP Play - RTP

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Queixa Bem-Sucedida ao Provedor do Telespectador da RTP

Na sequência de uma mensagem ao Provedor do Telespectador da RTP por nós sugerida (acção em que participaram algumas pessoas, às quais muito agradecemos), o Senhor Provedor respondeu o seguinte:

 “(...) Darei conhecimento da sua queixa a quem de direito e penso tratar esta questão em próximo programa Voz do Cidadão”.

Esta acção de envio de mensagens contribuiu assim para que o assunto “tauromaquia” seja incluído, pela primeira vez durante o mandato de Jorge Wemans, num programa “Voz do Cidadão”.

Mais uma pequena grande vitória!

As declarações do Presidente do Conselho de Administração da RTP que estiveram na origem da mensagem que deu os referidos frutos podem ser ouvidas aqui:


Aguardemos agora por um episódio do “Voz do Cidadão” centrado na emissão televisiva de touradas, que inclua também uma abordagem à postura dos colaboradores da RTP que vão apoiando, muitas das vezes de forma imprópria, a indústria tauromáquica.

sábado, 14 de outubro de 2017

Envio de Queixas para a RTP



Presidente do Conselho de Administração da RTP assiste a uma tourada televisionada, tece grandes elogios à tauromaquia e fala numa “parceria para continuar”. Por favor, apresente a sua queixa quanto ao sucedido em  ▶ https://goo.gl/uW7NQH

----- Mensagem sugerida -----

Exmo. Sr. Provedor,

Acabei de saber, via redes sociais, que o Presidente do Conselho de Administração da RTP tomou partido a favor da tauromaquia, durante uma entrevista no decorrer da tourada emitida pelo canal 1 em 12/10/2017. Referindo-se às touradas, não só proferiu afirmações como é um “bom espectáculo” e é “um espectáculo familiar”, como deu a entender que a RTP as vai continuar a emitir, dizendo que “é uma parceria para continuar”.

Considero inadmissível que, perante um tema tão fracturante como a tauromaquia, e num contexto em que o processo mais volumoso de queixas que existe na RTP é o que respeita à emissão de touradas, um membro do conselho de administração tenha a atitude que acabei de descrever.

Manifestada que está a minha indignação, peço a V. Exa. que faça o que for possível para que, enquanto a RTP não deixar de emitir touradas, representantes dessa estação de televisão não aproveitem a emissão das mesmas para se mostrarem e para tentarem beneficiar a indústria tauromáquica. Parece-me que é o mínimo que se deve exigir.

Com os melhores cumprimentos,